domingo, 30 de maio de 2010

Resenha do filme: Sociedade dos poetas mortos


Referência:

SOCIEDADE dos poetas mortos. Direção Peter Weir. Produção: Steven Haft. Interprete: Robin Williams. Música: Maurice Jarre. Produzido por Buena Vista Home Entertainment; Tochstone Home Entertainment. DVD (129 min), Wisdescreen, son., color, NTSC, 1989.

Sinopse:

Quando o carismático professor de inglês John Keating (o vencedor do Oscar, Robin Willians) chega para lecionar num rígido colégio para rapazes, seus métodos de ensino pouco convencionais transformam a rotina do currículo tradicional e arcaico. Com humor e sabedoria, Keating inspira seus alunos a seguirem os próprios sonhos e a viverem vidas extraordinárias. SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS, um dos mais comoventes campeões de bilheterias dos últimos anos, emocionou o público e a crítica com seus desempenhos brilhantes, sua história arrebatadora e sua grande produção.

Credenciais:

Este filme foi dirigido por Peter Lindsay Weir, nascido em Sydney, no dia 21 de agosto de 1944. Depois de uma educação tradicional, Weir estudou Arte e Direito na Universidade de Sydney. Interrompeu os estudos para fazer uma viagem à Europa e, quando voltou à Austrália, estava determinado a trabalhar no mundo do espetáculo. Assim, em 1967, ingressou na Televisão, na qual foi lhe dada uma oportunidade para realizar dois pequenos filmes que tiveram grande sucesso.

Em 1971 confiaram-lhe a realização de Michael, que fazia parte de um filme de três episódios intitulado Three to go. Mas só em 1974 conseguiria dirigir a seu primeiro longa-metragem (The Cars That Ate Paris) e, no ano seguinte, realizaria o filme que o haveria de tornar conhecido em todo o mundo: Picnic at Hanging Rock. O seu primeiro filme realizado nos Estados Unidos foi A Testemunha, em 1985.

Recebeu quatro indicações para o Oscar na categoria de "Melhor Diretor", por A testemunha, Sociedade dos poetas mortos, O show de Truman - O show da vida e Mestre dos mares. Recebeu uma indicação na categoria de "Melhor Filme" por Mestre dos mares e também uma indicação na categoria de "Melhor Roteiro Original" por Green Card - Passaporte para o amor.

Recebeu quatro indicações para o Globo de Ouro na categoria de "Melhor Diretor", por A testemunha, Sociedade dos poetas mortos, O show de Truman - O show da vida e Mestre dos mares. Peter Weir recebeu, ainda, indicações a vários outros prêmios por seus filmes.

O produtor deste filme, Sociedade dos poetas mortos, foi Steven Haft, este foi um prolífico produtor de cinema e televisão desde 1982. Suas produções lhe renderam sete Oscars, oito Emmy e um prêmio. Seus filmes já arrecadaram mais de US$ 350 milhões em receita mundial.

Após 15 anos na política, Haft produziu o Academy Award-nominated documentary "Traveling Hopefully." Seus créditos incluem "Beyond Therapy", dirigido por Robert Altman, de bilheteria e crítica e Sociedade dos Poetas Mortos em 1996. Entre seus créditos mais recentes estão Emma (1996), The Third Miracle (1999), Beautiful Joe (2000), estrelado por Sharon Stone.

Para a televisão, produziu o telefilme "Rear Window", que marcou o retorno de Christopher Reeve para a tela em um papel de liderança, "Pirates of Silicon Valley", e do Peabody Award-winning, "Strange Justiça”.

Resenha crítica

Dramático, poético e sensível do início ao fim, o filme “Sociedade dos Poetas Mortos” (“Dead Poets Society”, 1989) foi nomeado como um dos melhores filmes realizados na década de noventa. Narra um drama que se desenrola em meados de 1959, num internato masculino chamado Academia Welton. O início da história é marcado por uma solenidade, na qual podemos assistir a entrada dos alunos, impecavelmente vestidos de forma clássica e austera. Esses entram empunhando estandartes com o brasão da instituição e as palavras que compõem os princípios da escola: tradição – honra – disciplina e excelência.

O tom da cerimônia é solene, na qual o diretor profere um discurso, enfatizando os cem anos
da instituição e sobre o excelente ensino oferecido apoiado nos princípios, já citados. Em seguida, o diretor apresenta as credenciais do novo professor, John Keating (Robin Willians), cuja formação se deu naquele local e sua profissionalização nas melhores faculdades da Inglaterra.

Basicamente o filme narra a história de John Keating, um professor não muito convencional que desafia o sistema de uma tradicional escola para ensinar o que ele considera o verdadeiro significado da poesia e da literatura. Sua atitude liberal e revolucionária termina influenciando seus alunos, alguns em especial como o jovem Todd , que gostaria de se tornar um escritor, Neil, que sonha em ser ator, apesar das objeções do pai, Knox, Charlie e Gerald. Estes que mais tarde formariam, influenciados por Keating, a nova Sociedade dos Poetas Mortos.

Com o lema “Carpe Diem”, que significa “aproveitem o dia!” e outras citações e poemas, John Keating começa a despertar nesses jovens atitudes e características que nem eles mesmos sabiam possuir. O grupo de jovens passa a se encontrar secretamente para ler e escrever poesias, o que lhes proporcionou novas atitudes e pensamentos próprios e o desejo de realizar seus verdadeiros sonhos indo de encontro ao ideal esperado pelas famílias e pela escola.

Por causa dessa influência o Jovem Neil decide seguir seu sonho e participar de uma peça teatral, quando seu pai o leva para casa e promete tirá-lo da escola e levá-lo para a escola militar. Pressionado e angustiado, Neil se suicida, com o revólver do próprio pai. A cena nos faz questionar até onde deve ir a autoridade paterna, chocando-se com a vocação do filho, não respeitando-o como indivíduo dotado de vontade, desejos e ambições.

Após o suicídio, a família de Neil processa a escola, responsabilizando-a pelo desvio do jovem adolescente recaindo a culpa sobre Keating, para quem a verdadeira educação é a que induz o indivíduo a escolher o que gosta, o que está dentro de si e não o que lhe é imposto.

Já no final do filme, Keating é expulso de Welton e Nolan, o diretor, retoma as suas aulas, retornando ao estilo conservador de sempre. Nesse momento Keating entra na sala para apanhar os seus pertences, e numa cena emocionante, alguns dos alunos reagem à sua saída, sobem sobre suas carteiras num gesto de solidariedade, enquanto Keating se comove, quase chegando às lágrimas. O diretor esbraveja, protesta, porém os alunos não o obedecem. Esta é a última cena, mas deixa a mensagem do amor e compreensão a esse professor que fugiu aos padrões arcaicos de educação, inovando e cativando seus alunos.

O estilo pedagógico adotado por essa instituição nos remete ao tradicionalismo, no qual a escola está preocupada em ensinar, e não em fazer o aluno aprender a pensar. Está preocupado em reproduzir apenas um saber científico voltado para a preparação para o futuro, para as profissões liberais: Medicina, Direito e Engenharia e outras profissões valorizadas. Este modelo visava preparar seus alunos para o ingresso nas melhores faculdades, por isso o ambiente austero, privilegiando a natureza e longe da cidade para que nada interferisse na aprendizagem. Tudo era rígido, até mesmo os horários, o que nos faz pensar em
condições que impedem qualquer possibilidade de dispersão do objetivo maior: a
concentração de esforços para um desempenho excelente nos estudos, distante da realidade, do mundo real, da vida cotidiana. Um aprendizado que não condiz com a vida que o aluno lavaria extra-muros escolares.

Em contraponto a esse modelo de ensino, o professor Keating introduz um novo ideal pedagógico. Para ele, a educação deveria se confundir com o próprio processo de viver. Em suas palavras vemos a manifestação desse ideário: “Carpe Diem”. Notamos, também, o
encaminhamento de suas propostas de ensino que contrastam com as vigentes, as
quais são tomadas pelo diretor como heterodoxas, uma vez que o professor se
utiliza de outros espaços não convencionais para propor atividades diferentes,
buscando por uma convivência mais democrática e afetiva com seus educandos.
Para enfatiza isso, o filme apresenta cenas nas quais o professor encorajam seus alunos a subir nas carteiras para ver o mundo por um novo ângulo, outra estimula-os a arrancar páginas do livro, mais precisamente as folhas de Introdução à Poesia, de Pritchard , sob a alegação de que era um texto superado que fala de poesias como se fossem fórmulas matemáticas, sem paixão, referindo-se ao conteúdo destas páginas como “excrementos”.

O filme nos remete a um outro tempo, a uma outra concepção de espaço escolar,
baseada em princípios modernos de racionalidade. As atividades propostas por Keating podem ser vistas como representações de formas democráticas e autônomas de ensinar, aprender. Mostra, também, um novo “modelo” de educador, uma concepção de ensino ousada que tenta subverter o currículo padronizado e ensinar os alunos a pensarem e agirem por si mesmos.

Portanto o filme mostra de forma clara o dualismo existente no ensino. O arcaico brigando com o contemporâneo, este mais antenado com a realidade e que prepara o indivíduo para o enfrentamento das realidades da vida. É um filme que deve ser visto e discutido pelos educadores brasileiros, aos quais se recomenda atenção para o que ele representa em termos de educação moderna e nos faz questionar qual o tipo de educação estamos oferecendo aos nossos alunos. Uma que os faz pensar ou outra que os adestra para aceitar o mundo sem questionamento.



9 comentários:

  1. Obrigado ajudou muito.Esta de parabéns.

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  2. adorei!!.parabens me ajudou bastante.e para todos uma dica"CARPE DIEM".

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    1. vale a pena
      carpe diem´pra vs tbm nimguem sabe o dia de amanha neh mas vamos praticar o carpe diem de maneira proveitosa e consciente

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  3. Ei, você preguiçoso que não quer assistir ao filme. Assista! É um dos melhores filmes que já vi em minha vida e uma ótima experiência!!!!

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    1. é pq eu nao acho em lugar nenhum pow nas locadoras estao todos alugados,mas valeu a dica ,quem abe qdo eu conseguir neh!

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  4. Um filme bem interessante, especialmente para educadores. Além dos diversos ensinamentos sobre postura, determinação e objetivo para com nossos ideais, sonho e vida. Gostei tb qdo o prof. Keating agredecia pela participação do aluno em suas aulas.

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